Quem quer fazer um ultrassom 3D ou 4D cedo ou tarde se pergunta: isso faz mal para o bebê? Na internet há respostas para todos os gostos, de “é totalmente inofensivo” a “é perigoso”. Neste artigo resumimos o que dizem as fontes médicas de referência, sem alarmismo, e explicamos como aproveitar ao máximo os ultrassons que você faz durante a gravidez.
Resposta curta
O ultrassom é um dos exames mais seguros da medicina: não usa radiação ionizante e não há evidência de que cause dano ao bebê quando feito por profissionais capacitados. Mesmo assim, por precaução, as autoridades recomendam que ele seja feito com indicação médica, pelo tempo necessário e não mais. O 3D e o 4D seguem as mesmas regras do ultrassom comum.
Como o ultrassom funciona (e por que se pede cautela)
O aparelho emite ondas sonoras de alta frequência, inaudíveis, que atravessam o corpo e voltam como eco. Com esses ecos ele monta a imagem. Não há raios X nem qualquer outro tipo de radiação ionizante.
O som, porém, carrega energia. Em certas condições, ele pode aquecer muito levemente os tecidos ou formar pequenas bolhas de gás nos líquidos (cavitação). Os aparelhos modernos têm limites de potência e mostram na tela índices de segurança, e não há evidência de dano nas doses usadas em diagnóstico. Mas, como os efeitos de longo prazo de exposições longas não foram totalmente estudados, a recomendação é usar só o necessário.
O que dizem a FDA e as sociedades médicas
- FDA (agência de saúde dos Estados Unidos): considera o ultrassom seguro quando usado de forma adequada, mas desaconselha seu uso apenas para fins não médicos, como vídeos de “lembrança” do bebê. Ao mesmo tempo, considera razoável levar imagens ou vídeos do bebê feitos durante um exame com indicação médica, desde que isso não exija exposição adicional.
- AIUM (Instituto Americano de Ultrassom em Medicina), declaração de 2020: afirma que não há relação causal comprovada entre o ultrassom diagnóstico e danos em humanos, recomenda o princípio ALARA e desaconselha fortemente o uso do ultrassom sem indicação médica apenas para ver o bebê.
Em resumo: o problema não é o ultrassom em si, e sim sessões longas e repetidas sem necessidade, feitas fora de um contexto médico.
O princípio ALARA
ALARA é a sigla em inglês para “tão baixo quanto razoavelmente possível”. Na prática, significa que o profissional usa a menor potência e o menor tempo que permitam obter a imagem necessária. É por isso que um ultrassom feito por um profissional capacitado, com um objetivo claro, é diferente de uma sessão sem limite de tempo só para gravar vídeos.
O que as recomendações dizem, situação por situação
| Situação | O que as recomendações dizem |
|---|---|
| Ultrassons pedidos pelo médico | Fazer sempre que indicados: os benefícios superam qualquer risco teórico |
| Imagens do bebê durante um exame médico | Razoável, segundo a FDA, se não houver exposição extra |
| Sessões longas só para lembrança, sem indicação | Desaconselhadas pela FDA e pelo AIUM |
| Sonar fetal (doppler) caseiro | Desaconselhado sem supervisão de um profissional (FDA) |
| Melhorar a imagem de um exame já feito | Nenhuma exposição extra: trabalha só com a imagem |
Então, posso fazer o ultrassom 3D?
Converse com o seu obstetra. Muitas gestantes fazem o 3D/4D com tranquilidade, e algumas sociedades reconhecem o valor emocional de ver o bebê. Se for fazer, algumas escolhas deixam tudo mais seguro e aproveitável:
Para fazer o ultrassom 3D com tranquilidade
- Escolha uma clínica com médico ou profissional capacitado em ultrassom obstétrico
- Prefira aproveitar exames que você já faria (como o morfológico) para pedir imagens 3D
- Evite sessões muito longas ou repetidas só para conseguir a foto perfeita
- Faça na semana ideal (26 a 30) para não precisar repetir
- Peça as imagens em arquivo, para aproveitá-las ao máximo depois
A semana certa ajuda muito a acertar de primeira: veja ultrassom 3D com quantas semanas. E para entender o exame médico mais completo da gravidez, leia ultrassom morfológico: o que avalia e quando fazer.
Aproveite ao máximo o ultrassom que você já tem
Transforme a imagem do seu exame em uma versão hiperrealista do rostinho do bebê, sem nenhuma exposição extra, em cerca de 30 segundos.
Melhorar meu ultrassom →Melhorar a imagem tem algum risco para o bebê?
Nenhum. A melhoria de imagem acontece no computador, a partir de uma foto ou arquivo do ultrassom que já foi feito. O bebê não é exposto a nada. É uma forma de tirar o máximo de um exame que você fez por indicação médica, em vez de repetir sessões só para conseguir uma imagem melhor. Explicamos o processo em como ver o rosto do bebê no ultrassom com IA.
Fontes
- FDA — Ultrasound Imaging (em inglês)
- AIUM — Prudent Use and Safety of Diagnostic Ultrasound in Pregnancy (em inglês, 2020)
- ISUOG — folhetos informativos para gestantes